Unitel sofre ataque cibernético e fica sem rede na véspera da estreia em bolsa

Publicado em: 28-07-2026



Emprego

Unitel sofre ataque cibernético e fica sem rede na véspera da estreia em bolsa

A Unitel, maior operadora de telecomunicações de Angola, confirmou ter sido alvo de um ataque cibernético à sua infra-estrutura tecnológica, registado cerca das 2h20 da madrugada desta terça-feira, dia 28 de Julho. O incidente afectou os serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional, numa altura particularmente sensível para a empresa: a véspera da sua estreia na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).

O que diz a Unitel

Em comunicado, a operadora confirmou o ataque e garantiu ter accionado de imediato os mecanismos de resposta e contenção previstos para este tipo de incidente. Segundo a empresa, as equipas técnicas e de cibersegurança continuam a trabalhar para mitigar os efeitos e assegurar a reposição integral dos serviços, que se mantinham condicionados ao longo do dia.

Um dia de perturbação generalizada para milhões de clientes

Clientes particulares e empresariais relataram diversos constrangimentos ao longo da manhã: desde a impossibilidade de fazer chamadas telefónicas, até dificuldades em usar aplicações de transporte que dependem de ligação de dados, ou em aceder à internet em casa. No sector empresarial, a indisponibilidade dos sistemas informáticos ligados à rede da Unitel afectou também operações do dia-a-dia de várias empresas que dependem da operadora para comunicações e serviços digitais.

Segundo o Relatório e Contas de 2025, a Unitel serve actualmente cerca de 20,8 milhões de clientes em Angola, com uma quota de mercado de 76% — números que ajudam a explicar a dimensão do impacto de uma falha nacional como esta.

Uma coincidência delicada com a estreia em bolsa

O momento do ataque não podia ser mais sensível para a empresa: esta quarta-feira, dia 29 de Julho, está marcada a entrada em negociação das acções da Unitel na BODIVA, na sequência do processo de privatização parcial da operadora. O Estado angolano, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), vendeu 7,5 milhões de acções — 13% destinadas ao público em geral e 2% reservadas aos trabalhadores da empresa — numa oferta pública que decorreu entre 6 e 24 de Julho, gerando um encaixe de quase 300 milhões de euros para os cofres do Estado.

Um ataque desta natureza, na véspera de um marco tão relevante para a imagem da empresa perante investidores e público em geral, levanta inevitavelmente questões sobre a robustez da segurança informática da operadora, num momento em que a atenção mediática e financeira sobre a Unitel está no seu auge.

Uma operadora com presença além-fronteiras

Para além de Angola, a Unitel opera também em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, o que levanta a questão de saber se o incidente terá tido, ou poderá vir a ter, algum reflexo nas operações da empresa fora do território angolano — informação que, até ao momento, não foi esclarecida publicamente pela operadora.

Um histórico de instabilidade na rede

Este não é o primeiro incidente de falha generalizada enfrentado pela Unitel nos últimos tempos — a operadora já tinha registado quebras de serviço noutras ocasiões recentes, atribuídas então a anomalias técnicas internas. Desta vez, porém, a origem é diferente: a própria empresa confirma tratar-se de um ataque informático à sua infra-estrutura, e não de uma simples falha técnica ou sobrecarga da rede.

Situação ainda em resolução

Até ao momento, a Unitel não divulgou uma previsão exacta para a normalização total dos serviços, nem detalhes sobre a natureza específica do ataque ou eventuais responsáveis. A operadora pediu compreensão aos clientes e garantiu que as equipas técnicas continuam mobilizadas para repor a normalidade o mais rapidamente possível.

Fonte: Observador / Angonotícias — com base em comunicado oficial da Unitel